SeixalJazz Clube - Mundet Factory

As noites de jazz estão de volta aos antigos refeitórios da fábrica corticeira Mundet, agora convertidos num espaço de bar e restauração de referência na margem sul do Tejo, a Mundet Factory. Seis noites com formações nacionais fazem renascer o espírito de clube de jazz do festival e complementam a programação do Auditório Municipal.

Os concertos no SeixalJazz Clube - Mundet Factory são de entrada livre.

19, 20 e 21 de outubro
23 horas

Ricardo Toscano Trio


Ricardo Toscano - saxofone
Nelson Cascais - contrabaixo
Nemanja Delic - bateria

Ainda muito jovem (entrou no mundo do jazz com apenas 16 anos), o saxofonista Ricardo Toscano é já uma certeza do jazz português. Se já foi apontado como um prodígio, porque o que fazia não correspondia à sua idade, hoje dele emana uma maturidade que continua a ser surpreendente. O jazz que pratica é o da tradição bop e hard bop, sem quaisquer preocupações de inovação, mas são tais a frescura, a energia, a entrega e a personalidade própria dados aos temas, “standards” incluídos, que conquistou a unanimidade do aplauso. 

Já não é só de bom jazz que se trata, mas de brilhantismo. O repertório para este concerto será preenchido por temas do rico cancioneiro do jazz norte americano e adaptadas pelo líder para este combo com Nelson Cascais, no contrabaixo, e o sérvio Nemanja Delic, na bateria. 

 

26 de outubro
23 horas

Volúpia das Cinzas


Gabriel Ferrandini - bateria
Hernani Faustino - contrabaixo
Pedro Sousa - saxofone tenor

Volúpia das Cinzas é o resultado de uma residência artística promovida pela Galeria Zé dos Bois (ZDB) em Lisboa ao longo de 2016, fruto da intenção do baterista – com enorme reputação nos círculos internacionais do jazz – em construir trabalho no campo da composição. 

Dedicou-se a escrever temas originais numa onda descrita pelo próprio como “classic jazz meets free improv”, como o texto da ZDB revelava no primeiro anúncio, “acompanhado por dois cúmplices de longa data: o contrabaixista Hernani Faustino e o saxofonista Pedro Sousa.

 

27 e 28 de outubro
23 horas

The Rite of Trio


André Silva - guitarra
Filipe Louro - contrabaixo
Pedro Alves – bateria

O sarcasmo e a mistificação são recursos mais literários e dramatúrgicos do que propriamente musicais, sobretudo quando a música em causa não tem voz nem letras, mas assim não acontece com o projeto The Rite of Trio. Se essa imagem surge logo na forma como o grupo é apresentado, anunciando André Silva, Filipe Louro e Pedro Alves como mestres de uma tendência musical chamada jambacore, que na verdade não existe (Jamba é, simplesmente, uma marca de smoothies), o surpreendente é que a sua música tem essa carga de irreverência, humor e, acima de tudo, teatralidade. 

O que ouvimos envolve tendências do jazz (como o hard bop e o free) e do rock (como o metal e o prog), mas tal não acontece por esquematismo fusionista e sim por desprezo pela autoridade (leia-se: a autoridade do jazz e a autoridade do rock). Nada mau, para músicos que fizeram do jazz e do rock as suas vidas – por exemplo, Louro faz parte de pelo menos duas formações de primeira linha da cena jazz do Porto, O Grilo e a Longifolia e o Eduardo Cardinho Quinteto, e ele e Pedro integram dois conhecidos grupos de rock, Salto e Catacumba. Com esta outra banda, vêm dizer que não aceitam as proibições e os tabus que lhes chegam de ambos os lados, que não se conformam, que têm necessidade, como já anunciaram, de «tocar música sem regras, sem ambições e sem expectativas». Com tal atitude, deram corpo a uma das melhores propostas musicais surgidas em Portugal nos últimos anos.